O programa duplo da segunda-feira foi “Homens que Encaravam Cabras” e "Religulous”. Os filmes tem muita coisa em comum.
O primeiro filme tem um time de astros e conta a história verdadeira de um impressionante grupo de militares místicos e doidões que acreditavam em paranormalidade e poderes da mente. O exército faz experiências com eles, a ponto de imaginar que alguns podiam matar animais com o poder da mente. O estranho título vem justamente de uma dessas experiências, quando um dos protagonistas da trama, interpretado por um genial George Clooney, encara uma cabra até matá-la. O núcleo de doidões começa a se desfazer quando um dos soldados acaba se matando, com um tiro na cabeça, depois de uma sessão de LSD. E quando a luta pelo poder dentro do grupo começa a se dividir entre os personagens de Jeff Bridges e de Kevin Spacey. A grande piada dentro do filme é a presença de Ewan McGregor, que já foi Obi-Wan Kenobi na saga “Star Wars”, fazendo o jornalista que quase começa a acreditar em uma “raça” de “militares Jedi”. O filme é baseado no livro do jornalista Jon Ronson, que também inspirou o personagem de McGregor.
Para mim, através da ridicularização do misticismo setentista, cheio de drogas, o filme provocou certa vergonha alheia de amigos que ainda acreditam em coisas assim, como a visão remota ou aquelas bobagens de Carlos Castañeda.
Nesse sentido, “Religulous” é ainda mais sensacional, pois desanca diretamente e também de maneira bem-humorada a maioria das grandes religiões através do questionamento direto de alguns grandes líderes. É um documentário, dirigido por Larry Charles, o mesmo de “Borat”. Mas é muito melhor que “Borat”, até por ser verdadeiro e com um personagem muito mais carismático que o repórter fictício do Cazaquistão. Falo de Bill Maher, comediante famoso nos EUA. Ele ridiculariza completamente a religião e seus inacreditáveis crentes. É incrível como ele consegue provocar os entrevistados com perguntas simples como “Você acredita MESMO no que está falando?”, desconcertando o entrevistado.
Não creio que tenha sido lançado no Brasil - alguém me disse que o filme não conseguiu distribuidores em boa parte dos países, a gente pode imaginar o porquê. Mas dá para baixar na internet. Recomendo muitíssimo, especialmente a entrevista com um bispo do Vaticano, um velhinho simpático que, lá pelas tantas, rindo muito, diz: “Quem é que ainda acredita nessas coisas?!”.
Hoje, ao voltar para casa de ônibus, deparei-me com uma situação relativamente comum nos dias atuais: um jovem, negro, pobre pedindo ajuda aos “senhores e senhoras passageiros”, com aquele discurso ensaiado e repetitivo que todos nós conhecemos.
Entretanto, uma particularidade chamou minha atenção: o jovem, que deveria ter entre 20 e 25 anos, estava acompanhado de uma moça, aparentemente da mesma idade, e de duas crianças, uma delas parecia ter uns 3 anos e a outra uns 5 anos.
Como sempre faço nesse tipo de situação, tirei meus fones de ouvido, fechei a revista e fiquei prestando atenção no rapaz, que carregava o menino mais novo no colo e dava a mão para o mais velho. Provavelmente a cena foi armada para conquistar a simpatia dos passageiros, porém não o culpo, imagino que certa dose de manipulação seja necessária para amolecer os duros e gélidos corações que andam por aí.
Pois bem, assim que o camarada terminou seu discurso, abri minha carteira para pegar minhas moedas e entregar-lhe, verifiquei que tinha por volta de R$ 2,00 e me levantei para lhe repassar, achando que seria um dos únicos a fazê-lo. Eis que para minha surpresa, umas 6 ou 7 pessoas (e o ônibus estava relativamente vazio) fizeram o mesmo, alguns contribuindo com algumas moedas, outros com notas de R$ 2,00. Vi claramente um certo brilho em seus olhos, os quais começaram a se encher de lágrimas, e percebi um certo embargo em sua voz ao tecer seus agradecimentos àqueles que ajudaram, bem como aos que “não puderam contribuir dessa vez”.
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“Que absurdo!”
Bom, mas o que me levou a escrever este post não foi o fato per si, mas a reação de uma jovem que estava sentada a minha frente. Logo que o rapaz virou as costas e desceu do ônibus, ela olhou em volta começou a balançar a cabeça de um lado para o outro, em um claro sinal de reprovação. Ouvi ainda ela dizer para si mesma: “Que absurdo! Devia trabalhar ao invés de pedir esmola.”.
Fiquei então pensando no que passara na cabeça daquela moça.
É possível que, se questionada sobre o que achava da situação, ela diria que é um absurdo carregar os filhos para medingar; que o ato de dar a esmola não contribui para o crescimento da pessoa; que ela deve “aprender a pescar ao invés de receber o peixe”; que estávamos contribuindo para a acomodação daquele casal.
Como escrevi acima, vi em seu rosto e seus olhos e ouvi em sua voz o sincero agradecimento pela ajuda dada, mas também a vergonha de estar naquela situação. Talvez eu tenha sido manipulado e influenciado pela imagem das duas crianças; ou talvez eu tenha lembrado que alguns amigos da minha infância que ainda conservo parecem-se muito com ele, jovens, negros, pobres, com filhos pequenos. Mas faria o mesmo gesto novamente.
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“Muita esmola ainda será pedida nas ruas”
Claro que há malandros pedindo esmola nas ruas e nos coletivos, mas acho que também há uma parte que quer trabalhar e conquistar sua autonomia, visando a acabar com esse tipo de humilhação tão logo lhe seja possível.
Imagino que ninguém ache que há emprego sobrando para quem quer trabalhar. Sabemos que não é bem assim. Afinal, desde quando vivemos uma situação de pleno emprego no nosso país? Quem acha que o Brasil atual (e o de outrora ou o do amanhã) é capaz de oferecer trabalho e/ou emprego para 100% de sua população economicamente ativa está precisando colocar os pés no chão.
Como estamos em uma nação incapaz de oferecer as mais básicas oportunidades de vida para a esmagadora maioria de sua população (e isso não é culpa apenas dos atuais governos e nem dos anteriores, é uma herança de séculos), veremos por muitos anos ainda fatos como os acima descritos.
Tampouco há entidades, organizações ou similares em número suficiente para promover a emancipação dos milhões de excluídos deste eterno “país do futuro”, o qual ainda se afunda (apesar dos avanços) no apartheid social cultivado há mais de 500 anos. Muita esmola ainda será pedida nas ruas.
Continuarei tentando ajudar, financeiramente ou de outras formas, sempre que possível, alguns daqueles que vierem a mim nas ruas e/ou nos ônibus. Sei que não é o caminho ideal, mas, por enquanto, é o pouco que dá para eu fazer.
Pode ser que o cara usou a grana para comprar cachaça ou crack? Pode… Mas também pode ser que não. Quem sou eu para julgar ou afirmar algo? Há probabilidades diferentes para o uso do dinheiro no caso citado acima, ou se o pedinde for uma pessoa “que está noiada”, com sangue nos olhos arregalados e mãos trêmulas.
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“A desumanização não se verifica apenas nos que têm sua humanidade roubada, mas também, ainda que de forma diferente, nos que a roubam.” Paulo Freire
Vagner Love foi filmado Escoltado por armados Adriano indiciado Deu motoca ao celerado Os dois sendo acusados De apologia aos drogados Adriano é alcoólatra Vagner Love é viciado Rotulados como monstros Pelo crivo enviado Por jornalistas intencionados Em mostrar o favelado Como lixo condenado Na favela o operário É tratado como otário Espancado por PMs Todos mancomunados Com os políticos desalmados Os nunca açoitados Cheirando o pó dos criticados Já Adriano O favelado Pode vender cerveja pra todo coronelado No horário nobre consagrado Isso tá liberado Ai de ele beber Será esculachado Pelo consumidor Do produto anunciado Adriano Vira logo Mau exemplo pras crianças do outro lado É taxado de xinxeiro embriagado Moralmente açoutado O trabalhador mora no morro Isso não é noticiado Quem é cria da favela Sabe que isso pouco importa O Bope sobe armado Morre preto favelado É tiro pra todo lado Como pode o Adriano Frequentar esse cercado Morando na favela Tu é trafica É fajardo Não tem carteira de trabalho que prove que ao contrário Na favela mora o povo O proletariado Essa gente que sustenta esse país desnivelado Fico muito preocupado Com valores deturpados Por uma mídia pardieiro Que legitima o congresso E condena o empregado Pro meu filho eu vou dizer Que exemplo é o Adriano Que não nega a favela Um lugar de povo amado Que devia ser lembrado Com muito mais cuidado E não associado à meia dúzia de armados Sem oportunidade por culpa do Estado Que culpa o favelado pelos seus próprios pecados Num país de oligopólios Todo predestinado Pro rico ficar rico e negar o favelado Eu prefiro Vagner Love no baile funk amado por tantos outros favelados
A onda de assaltos e latrocínio praticados por uma ciança de apenas 11 anos, três adolecentes menores de dezesseis, e um homem de de 25 anos em Fortaleza preocupa-me como cidadão brasileiro pela quantidade de grupos na mesma fixa etária espalhados em semafaros da capital cearense, mais precisamente em locais de mansões e condominios de luxo da classe média alta. Preocupa-me muito também pela inócua solução apresentada pelo governo, para diminuir esse tipo de delito, simplesmente colocaram uma guarnição policial no local da ocorrência. Muito pouco. http://http://www2.fortalnet.com.br/conteudo.asp?situacao=1&SIT_NOTICIA=2&idnoticia=31281505 O suposto infrator de apenas 11 anos, entrevistado de costas por um reporter da TV Dário, dava-nos pena de tão limitado. Ao invés de frieza, mêdo, tristeza. Ele é raquítico, triste, desamparado, feio de maus tratos, embora mantivesse aquela aurea angelical que vemos nas crianças, e que algums só enchergam nas crianças bem nascidas. Demonstrava na TV não entender o que acontecia com ele naquele momento. Ele não sabia formatar as ideias para responder ao reporter e demonstrava desconhecer palavras básicas do nosso vocabulário. Uma testemunha, de classe média alta, vítima deles a uma semana antes do assassinato de uma importante e abastada empresária, também deu um depoemento na TV. Ambos chocaram-me. O da criança por que mostrou o retrato de milhões de inocentes que só os conhecemos quando nos tornamos vítimas da montruosidade que criamos a toda hora nessa sociedade em que apenas Deus e o nosso individual umbigo tem importância. A sociedade do "Mateus, primeiro os teus". O depoemento da testemunha revela o desconhecimento do mundo em que vive. Disse ela: "Essa criança, acho até um desrespeito as crianças de verdade, chamá-la de criança, por que é um monstro..." Mostra-nos como estamos doentes. Chocou-me ouvr tanta ignorância. Não existe criança de verdade e de mentirinha. A criminalidade advinda da miséria provocada pela corrupção, pela insensibilidade do essencialismo religioso, atinge os adultos e leva por gravidade crianças famintas de famílias indigentes de bens materiais mínimos, presa facil da evangelização cristã sem nenhum sentido prático que não seja o fortalecimento de seitas, violência que vitimiza a todos indistinatamente. Esse tipo de conceito onde temos a criança cidadã e a criança sub cidadã, é apenas um sub produto da doença da sociedade individualizada onde tudo é consequencia da vontade divina. Não somos responsavéis por nada. Ou foi castigo de Deus ou foi a tentação do demo. Como a luta contra as injustiças parecem-me inglória, por que não começamos a cobrar mais investimentos na educação, prioritariamente nos professores? Nos programas sociais que estimulem um crecimento na qualidade de vida nas famílias de classe baixa, integrando adolecentes de todas as classes sociais através de uma escola pública de bôa qualidade, e até mesmo em escola privada de qualidade mas acessivel as classes pobres através de programas de integração social. Atividades esportivas e sócio-culturais para todos os adolecentes independemente de classes. Gastos com segurança pública deveria ter o policial e a formação como prioridades. Menos investimentos na construção de prédios desnecessários e nada de aquisição de viaturas caras. Já começaríamos sabendo que a origem desses crimes são para adquirir drogas ilícitas e matar a fome. Por que não se discutir mundialmente a liberação das drogas através na ONU? Os viciados seriam tratados em programas de recuperação, com a participação da família que também adoece durante o relacionamento com o dependente quimico. Os que resistissem momentâneamente ao tratamento de reinclusão social, poderiam continuar a sua dependência recebendo as drogas gratuitamente em um ambiente adequado, com a assistência de psicólogos e profissionais de saúde. A diminuição da violência proporcionaria carrear mais recursos para os programas de prevenção ao uso de drogas e de combate a fome e prevenção de outros tipos de crime através da educação e combate a miséria. Mas os governantes a quem cabe promover o bem estar dos cidadãos estão muito ocupados. Preocupados com os próprios interesses travestidos de interesses maiores pela imprensa. Além de que, grupos muito poderosos tem interesse nesse tipo de lucro milionário, ilegal e genocida, com os quais fortalecem bancadas que se calam, policiais que nada vêem, Igrejas que se limitam a louvar a Deus no céu, esquecendo-se das pessoas desgraçadas da terra, a quem chamam de donas do reino dos céus. O essencialismo religioso também tem contribuido para tirar o foco das pessoas nas soluções; individualizando-as, acomodando-as na esperança de uma vida eterna ou uma reencarnação gloriosa, fazendo-nos crêr que tudo de bom ou ruím faz parte do nosso calvário designado por um Deus perfeitíssimo que infelizmente errou criando um mundo mostruoso em que seu inimigo maior, o DEMO, parece ter mais influência, poder e facínio maior que o dele. As soluções estão as vezes no nosso nariz, nas coisas mais simples. Coisas que não comprometem o monopólio de Deus nem os dízimos que tanto preocupa o Edí Macedo que sinicamente explica a sua opção pelo aborto como uma solução para limpar as ruas e não para dar as mulheres o direito de decidirem pelo que tem no seu útero. As soluções surgem geralmente na simplicidade, no bom humor e na importância que as pessoas mais simples dão ao seu próximo. Vejam esse pequeno exemplo que poderia ser útil a esses adolecentes: http://ghiraldelli.pro.br/2009/12/bolsa-namoro/ Bosco Ferreira- Teresina-Pi.
IMPOSSIVEL FORMAR UM SER HUMANO PLENAMENTE MORAL NUMA SOCIEDADE INJUSTA
Cabeça de Cuia é uma lenda de Teresina-Pi. É a história de Crispim, um jovem garoto analfabeto que morava numa colônia de pescadores nas margens do rio Parnaíba. Ele era muito mau visto pelas moças e pelos colegas de sua idade, pelo fato de não dominar a arte de pescar. Acreditavam que o seu fracasso era consequencia de uma maldição que o rio Parnaíba pôs em Crispim. Ele era visto como “O amaldiçoado”. Sua familia era necessitada. Um certo dia, ao terminar mais uma pescaria mau sucedida, muito chateado,chegou em casa para o almoço, sua mãe lhe serviu, como de costume, uma sopa rala, com ossos, já que faltava carne no seu mocambo frequentemente. Nesse dia depois de receber muitas reclamações e ser descomposto por sua mãe, que o chamou de preguiçoso e fracassado, amaldiçoado, ele se revoltou, e no meio da discussão, num impulso infeliz, arremessou o osso contra ela, atingindo-a na cabeça, matando-a. Antes de morrer sua mãe o amaldiçou a ficar vagando no rio e também como efeito da maldição, Crispim ficou com a cabeça muito grande, do tamanho de uma cuia, daí o nome "cabeça de cuia". A mãe ainda lhe disse que sua pena perduraria até que ele devorasse sete marias virgens. Ao tomar conciência do crime que praticou, o adolecente pescador arrependido correu gritando desesperado na direção do rio Parnaíba sem que ninguem o tenha mais visto. Dada essa lenda, muitas garotas antigamente evitavam lavar as roupas às margens do rio parnaíba. Consta que até hoje ele é visto por pescadores com sua enorme cabeça de cuia e os olhos vermelhos tentando pegar na borda dos barcos.
Quem não tem namorado é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabira, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas namorado mesmo é muito difícil.
Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio, e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.
Quem não tem namorado não é quem não tem amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento, dois amantes e um esposo; mesmo assim pode não ter nenhum namorado. Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche da padaria ou drible no trabalho.
Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar lagartixa e quem ama sem alegria.
Não tem namorado quem faz pactos de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade, ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de curar.
Não tem namorado quem não sabe dar o valor de mãos dadas, de carinho escondido na hora que passa o filme, da flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque, lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada, de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia, ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo, tapete mágico ou foguete interplanetário.
Não tem namorado quem não gosta de dormir, fazer sesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele; abobalhados de alegria pela lucidez do amor.
Não tem namorado quem não redescobre a criança e a do amado e vai com ela a parques, fliperamas, beira d'água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.
Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não se chateia com o fato de seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais.
Não tem namorado quem ama sem se dedicar, quem namora sem brincar, quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele.
Não tem namorado que confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.
Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando 200Kg de grilos e de medos. Ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesma e descubra o próprio jardim.
Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenção de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteio.
Se você não tem namorado é porque não enlouqueceu aquele pouquinho necessário para fazer a vida parar e, de repente, parecer que faz sentido.
Estou fazendo um longa metragem sobre a independência da província do Piauí, para a TV CIDADE VERDE de Teresina. As gravações são realizadas nos locais onde aconteceram os fatos, isso tem me afastado do blog. Voltarei na segunda quinzena de julho com mais detalhes, fotos e tempo para visitar os amigos. A saudade é muito grande. Obrigado e até breve.
Com uma das mais importantes matérias sobre as raízes da crise da educação básica no Brasil, o repórter Fábio Takahashi antecipou na Folha as conclusões desalentadoras de um estudo sobre o preparo do professorado.
Apenas 1 em cada 4 dos melhores alunos do ensino médio escolhem o magistério como carreira, informa a reportagem, citando a pesquisa. É exatamente o contrário do que acontece na Coréia do Sul, cujas escolas estão entre as melhores do mundo. Ali, só os 5% mais bem avaliados num exame nacional podem ser professores. Na Finlândia, outro exemplo de sistema educacional bem sucedido, o candidato a professor deve estar entre os 10% com as notas mais altas.
O desprestígio social da profissão no Brasil é a causa primeira do desinteresse dos melhores estudantes em cursar pedagogia. Isso conta mais até do que salário e condições de trabalho para afugentar do magistério a elite dos que terminam o ensino médio – embora bons salários e boas condições de trabalho contribuam para a imagem de uma atividade.
Os educadores sabem disso. O grande público, não necessariamente.
”Como a profissão é desprestigiada”, diz com franqueza o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, Roberto Leão, “a maioria daqueles que escolhem trabalhar como professor o faz porque o curso superior na área é mais fácil de entrar, barato e rápido”.
A maioria também vem de famílias com baixa renda.
A matéria menciona um levantamento da Fundação Carlos Chagas segundo o qual 73% dos 2.700 participantes de cursos de formação de professores no país afirmam que seus amigos entendem que a carreira não vale a pena.
Isso resume “a impressão que a sociedade tem do professor”, observa a coordenadora do levantamento, Clarilza Prado.
E a impressão é de que tem fundamento o ditado “quem sabe faz, quem não sabe ensina”.
A mídia decerto não tem poderes para mudar essa impressão, mas bem que poderia mostrar, desde logo, que a desvalorização social do magistério não aconteceu por acontecer. A imprensa deu de ombros e a sociedade – leia-se: a classe média - não chiou quando os salários do professorado da rede estatal começaram a cair em termos reais, ao mesmo tempo em que a escola pública se massificava, a partir dos anos 1970.
Como a própria Folha registra, nas palavras do professor Dermeval Saviani, da Unicamp, “a opção dos governos foi atender mais gente com praticamente os mesmos recursos. Por isso, os salários foram reduzidos e o prestígio dos professor diminuiu muito. O docente virou um simples funcionário público.”
A imprensa vive martelando, com razão, que sem um grande salto no ensino básico o Brasil continuará a se desenvolver aquém do seu potencial. No entanto, quando noticia o mau desempenho da maioria dos alunos nos exames nacionais de avaliação, deixa em segundo plano, ou nem mesmo menciona, uma das causas básicas do fracasso disseminado – a desvalorização social do magistério, que afugenta da profissão muitos daqueles que, de outro modo, fariam a diferença nas salas de aula.